Category Archive: Aleitamento Materno

CHUPETA OU DEDO

É extremamente comum ouvir que é preferível que a criança pegue a chupeta ao dedo pois é mais fácil de remover o hábito no futuro.

Não existe nenhum estudo que demonstre ser mais fácil de remover a chupeta que o dedo. Além disso, na minha clínica, não vejo esta relação. Tanto dedo quanto chupeta apresentam o mesmo grau de dificuldade na retirada.

Claro que o uso da chupeta muitas vezes acalma a criança e consegue devolver um pouco de sanidade aos pais quando a criança está em crise, não posso negar este fato.

chupar dedoOutro aspecto é que a chupeta é colocada as pressas na criança quando ela leva a mão na boca, para não pegar o “horroroso” hábito de chupar o dedo.

Mas também não nego que o uso da chupeta é um hábito social, aonde os pais impõem à criança, pois está arraigado na sociedade que chupeta acalma a criança e é bonitinha. Afinal, crianças com chupeta são muito mais fofinhas.

Primeiro é importante entender que a criança, quando aleitada corretamente (entenda-se aleitada corretamente, como aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e se possível não exclusivo por até 2 anos, segundo a OMS) tem muito pouca possibilidade de adquirir um habito de sucção não nutritiva. A chance “pegar” o dedo ou a chupeta é muito, mas muito menor.

Porém, existe um aspecto muito interessante poucas vezes observado. Quando o bebe descobre a mão a tendência dele é coloca-la na boca. Isso é uma característica do desenvolvimento infantil, nesta fase tudo que a criança descobre ela leva à boca.

Este mesmo fato vai acontecer com a criança mais velha, na época que irrompe os incisivos. Ela leva a mão na boca, pois a gengiva coça.

Esta característica de por a mão na boca nestes momentos, na sua grande maioria passa. A criança após descobrir a mão, vai retira-la da boca com o tempo até descobrir a próxima novidade e também vai retirar a mão após que erupção dos incisivos. Nesta fase, um mordedor ajuda bastante.

Alguns poucos, muito poucos, podem acabar permanecendo com o dedo na boca e adquirindo o habito de sucção do . É fato, mas pode acontecer com um pequeno grupo.polegar

De um modo geral, PREFIRO INFINITAMENTE O DEDO A CHUPETA. Não gosto do efeito dos dois na boca, acho que ambos deformam as arcadas, podem gerar problemas respiratórios (um dia escrevo sobre isso) e muitas vezes são de difícil remoção.

Entretanto o dedo é mais anatômico, cresce com a criança mantendo a proporcionalidade e o mais importante, a criança pode optar ou não por chupar o dedo, afinal após cada fase ela normalmente retira a mão da boca. A chupeta é sempre imposta pelos pais, sem que a criança tenha opção de querer ou não ter este habito. Vocês ficariam chocados com diminuição da incidência de crianças com hábitos se não fosse ofertado a chupeta.

Entre o dedo e a chupeta, não gosto de nenhum, mas pelo menos o dedo, a criança pode optar, a chupeta não.

 

Dr. Pedro Pileggi Vinha

Foto: Getty Image

 

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Atenção ao novo código de ética.

ética na odontologia

Está em vigor desde 1º de janeiro de 2013, o novo texto do Código de Ética Odontológica, aprovado pela Resolução CFO-118/201.

 

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o. O Código de Ética Odontológica regula os direitos e deveres do cirurgião-dentista, profissionais técnicos e auxiliares, e pessoas… E assim vai…..

Com certeza poucos colegas tomaram conhecimento desse fato e caso o tenham feito, não deram a mínima importância. E não dando a devida importância, não tiveram o interesse em dar uma “olhadinha”, uma “espiada”.

Pois bem, não sou diferente de qualquer outro colega. Tenho mais o que fazer do que ficar lendo código de ética profissional e uma dessas coisas a mais é terminar a minha tese de mestrado.

Nesse mestrado frequentei aulas da ÁREA CONEXA e uma dessas aulas foi sobre CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL, onde fomos alertados para o seguinte capítulo:

 

CAPÍTULO XI

“DAS ENTIDADES COM ATIVIDADES NO ÂMBITO DA ODONTOLOGIA”

Art.29.Aplicam-se as disposições deste Código de Ética e as normas dos Conselhos de Odontologia a todos aqueles que exerçam a Odontologia, ainda que de forma indireta, sejam pessoas físicas ou jurídicas, tais como: clínicas, policlínicas, cooperativas, planos de assistência à saúde, convênios de qualquer forma, credenciamento, administradoras, intermediadoras, seguradoras de saúde, ou quaisquer outras entidades.

Art. 30. Os profissionais inscritos prestadores de serviço responderão, nos limites de sua atribuição, solidariamente, pela infração ética praticada, ainda que não desenvolva a função de sócio ou responsável técnico pela entidade.”

 

O que quer dizer isso tudo?

 

Todo consultório odontológico com mais de um profissional atuante é considerado uma clínica.

Por exemplo: você trabalha numa clínica, seja ela jurídica ou não, onde outros colegas atuam em outras especialidades, ou mesmo na clínica geral. E talvez, você nem os conheça, trabalha em dias diferentes ou mesmo aquele colega que divida as despesas com você, no seu consultório. Ou o implantodontista ou o endodontista que vai até sua clínica prestar um serviço.

Qualquer desses colegas que cometer uma infração ética, todos os demais, responderão por isso. Não só o responsável técnico, mas todos os profissionais que ali atuam são corresponsáveis pela infração ética.

É o que diz o Artigo 30 do Capítulo XI.

Sugiro a todos que deem uma “olhadinha” no texto do código. Principalmente no que diz respeito as infrações, porque o código ficou com uma interpretação, no mínimo ambígua.

Lembrando que, o simples fato de não estar em dia com a anuidade do CRO é uma infração.

 

 

Dr. Marcelo José Bellintani Fontana


Coordenador do Curso de Atualização em Implantes Orais da escola NEOM-RB

Mestrando em implantologia

Especialista em implantologia

Pós-graduado em cirurgia avançada e cirurgia periodontal

 

 

 www.neom-rb.com.br

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Hábitos orais: proibir ou substituir?

Hábito é o resultado da repetição de um ato que traz prazer.

Definição simples,  solução complicada.

Os hábitos orais normalmente relacionados a sucção (dedos, chupeta, língua, lábios e etc.) são um pesadelo para as mães e odontopediatras.

Isso porque existe um grande conflito: qual o maior dano, os estragos gerados pelo hábito (como mordida aberta, por exemplo) ou os  danos psicológicos causados pela remoção do mesmo?

Outras questões usualmente levantadas são: até que idade o hábito pode ser removido sem causar danos permanentes? E o hábito, sempre causará algum tipo de prejuízo ao sistema estomatognático? O que é melhor, meu filho chorando ou o uso da chupeta?

Muitas questões e poucas respostas objetivas.

Remover o hábito de maneira abrupta ou pouco ortodoxas pode causar danos psicológicos permanentes, como substituição dele por tiques ou modificações de comportamento.

mamiloPor isso, uma solução relativamente simples, foi desenvolvida pela Dra. Gabriela D. de Carvalho, que é a substituição do hábito. Isso não significa substituir dedo por chupeta ou vice-versa, mas sim trocar o dedo por algo que a criança possa sugar, porém, sugar algo que corrija a postura da língua além de suprir a necessidade  neurológica de sucção.

Baseado nessa necessidade, foi criado o mamilo. Inspirado no aleitamento materno, este acessório foi desenvolvido  para que seja associado a uma simples placa ou expansor e objetiva substituir o hábito de sucção pela sucção do “mamilo”.

Após alguns meses da substituição do hábito primário, começamos a diminuir o tamanho do mamilo e em poucos meses removemos o aparelho e o hábito.

Normalmente, as coisas simples são as mais eficientes. Neste caso, quase 100% eficiente e sem traumas.

 

Pedro Pileggi Vinha

Colaboração: Sheila Marques Inamassu Lemes

Maiores informações, clique aqui para ir até a biblioteca do NEOM e baixar um artigo publicado.

 

 

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